Semana passada o supervisor da Secretaria Municipal da Pesca (SMP), Onedir Dias Lilja, acreditava que a partir do rebojo (vento sul) a corvina poderia entrar na Barra em grande quantidade, mas agora, após conversar com pescadores na manhã desta segunda-feira, 29, ele diz que a expectativa não é mais das melhores.
"O rebojo poderá acontecer talvez a partir de terça ou quarta-feira, mas hoje falei com pescadores de bote de oceano, que atuam frente à praia do Cassino, e a previsão deles não é nada boa. A pesca tem sido muito pouca. De 100 botes, 90 voltam sem nada e 10 com alguma coisa. Talvez não dê nem para a despesa do diesel. Está muito difícil", lamenta o supervisor da SMP.
Onedir atribui a situação ao "desordenamento da pesca. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer. Os órgãos e instituições que deveriam defender a pesca não fazem isso e de onde se tira e não se bota, ligeiro se esgota. Até que levou muitos anos para se esgotar, mas acho que a pesca está chegando ao fim. Peço a Deus que me engane. Que tenha corvina, o pescador ganhe e eu morda a língua, mas a situação é muito preocupante".
Com uma vida inteira dedicada à pesca, Onedir Lilja cita o vizinho Uruguai como um exemplo. "Eles tem 3,5 milhões de habitantes, menos que o Rio Grande do Sul, e lá existe respeito ao tamanho das espécies. Se a pesca comporta 70 barcos o número de embarcações também não passa disso. É tudo de acordo com a produção. Aqui tem embarcações e pescadores demais, mas o peixe é cada vez em menor quantidade. Precisamos botar limites para o pescador da Lagoa dos Patos e do oceano. Os aparelhos eletrônicos das embarcações, como radar e sonar, também são outro grande problema, porque localizam cardumes a 80 metros de profundidade no oceano e matam tudo o que tem, não dando tempo dos peixes crescerem e se multiplicarem", conclui Lilja.
29.10.07