A Sala Multiuso da Prefeitura, vinculada à Secretaria de Cultura (SeCult), tem favorecido a criação e divulgação de material artístico e cultural na cidade de Rio Grande. Já foram inúmeros trabalhos expostos por artistas locais e internacionais, além da cooperação de alunos das escolas municipais nas atividades. O espaço teve milhares de visitações no ano passado e tem como objetivo principal a difusão de atividades das mais diversas artes em espaço expositivo aperfeiçoado justamente para o desenvolvimento das práticas culturais. Também é um desejo da Secretaria de Cultura a criação do Banco Municipal de Artistas e Grupos, através de credenciamento, com a finalidade acompanhar e organizar os movimentos artísticos e culturais de rio grande.
Para o prefeito Alexandre Lindenmeyer, a Sala Multiuso tem viabilizado a “exposição de arte e da diversidade cultural existente no nosso município”. Ele acrescenta que o Executivo Municipal, através de suas secretarias, está sempre pesquisando maneiras de “aprimorar o uso desse espaço para que, tanto a população quanto os visitantes da cidade, possam ter acesso a todas as atividades culturais que são apresentadas”.
Segundo Ricardo Freitas, secretário de Cultura de Rio Grande, a sala Multiuso tem a proposta de “incentivar que a população se aproprie do projeto, tanto para desenvolver suas atividades culturais e expô-las ao público, quanto para participar apreciando as manifestações culturais presentes na Sala”. Ele acrescenta que “o espaço é da população e para a população”, e incentiva que os artistas “podem e devem procurar a Sala para a divulgação de seus projetos”.
Aproximando culturas e cruzando fronteiras
A Sala Multiuso tem servido para artistas locais e até internacionais exporem as suas manifestações artísticas. A exposição “Luz...”, fez parte do programa “Março lilás”, e trouxe o trabalho da Iraniana Shila Khodaparast. A mostra de fotografias retrata as mulheres do país, que sofrem em função da incompreensibilidade social na região. Segundo a artista, as fotos revelam “questões culturais, injustiça, abuso, crise social, acesso a diferentes drogas e questões de infraestrutura,” afirmou.
Outra manifestação artística que já executou suas apresentações transpondo as fronteiras do país e esteve à disposição do público rio-grandino, foi a Exposição Religare. A mostra coletiva, internacional e itinerante, organizada em conjunto pela SeCult e a Universidade Federal do Rio Grande, agrupa trabalhos de artistas e educadores que desempenham seu trabalhos em vários países, com atividades em formatos virtuais e físicos.
Oportunidade para artistas rio-grandinos
Produções locais também estiveram em evidência na ocupação da Sala Multiuso, e contaram com boa participação popular. Entre os destaques de demonstrações culturais que realizaram a ocupação do espaço no ano passado, está a exposição “Popular Contemporâneo” de Getúlio Sória.
O trabalho do artista rio-grandino vem sendo desenvolvido desde 2004, quando começou a utilizar a arte como refúgio de seus problemas pessoais. Sória utiliza material reciclável para a sua atividade artística, despertando admiração e curiosidade da população com suas esculturas. Como exemplo, o público pode apreciar o resultado da transformação de um pneu em estádio de futebol.
Uma segunda mostra de destaque, exposta já neste ano, possui cunho religioso, além de cultural. A exibição de, Aldivo Mendes, nomeada “No Sagrado Feminino, o Terreiro Revelado”, levou meses para ser concluída e exibe, em formato de fotografias, o resultado das pesquisas e conversas realizadas pelo artista com yalorixás da cidade de Rio Grande, ressaltando a importância das religiões de matriz africana no município e das mulheres neste meio. A mostra também teve grande aceitação e interesse popular, o que motivou o rio-grandino a levar suas obras para outros locais da cidade.
Edital recebe propostas até dia 20 de abril
O edital aberto atualmente prevê a ocupação para os meses restantes do ano de 2018, tendo o dia 20 de abril como data máxima para inscrições de projetos. Podem se inscrever pessoas jurídicas (produtoras culturais, associações de classe, entidades, grupos de artistas, entre outros) e pessoas físicas que tenham currículo comprovado na área da proposta.
Os interessados devem preencher o formulário de inscrição e encaminhar o currículo e plano de ocupação de espaço, contendo as informações de apresentação, justificativa, objetivo, metodologia das oficinas e público-alvo. O formulário pode ser encontrado no site da secretaria de cultura, http://secultrg.wix.com/riogrande. As propostas também podem ser entregues de maneira presencial na sede da Sala Multiuso.
Na opinião de Ricardo Freitas, o edital para a escolha dos trabalhos possibilita “maior transparência na triagem das propostas, viabilizando condições mais democráticas aos participantes que atendem os requisitos da seleção”. Entre os critérios, são ponderados fatores como qualidade artística, viabilidade técnica, qualificação dos profissionais envolvidos, importância da realização no contexto local e estratégias de divulgação. Ainda conforme o secretário, tanto a apresentação quanto o currículo dos artistas são avaliados pelos técnicos da secretaria, buscando “filtrar as melhores demonstrações artísticas para uma programação com mais qualidade e interesse público”, complementa.
Cooperação com a FURG
Com a finalidade de aprimorar ainda mais as exposições, a partir do mês de abril, a Sala Multiuso terá uma novidade em sua atuação. Professores da Universidade Federal do Rio Grande estarão realizando um trabalho conjunto com a SeCult. Segundo Ricardo Freitas, a ideia é “qualificar todo o trabalho de apresentação das obras, através do conhecimento que será transmitido pelos professores especialistas na área”. Eles também participarão como auxiliares no processo mediação com o público, de divulgação do espaço e na captação de novas exibições para a ocupação artística, além de ter no espaço uma oportunidade de por em prática as pesquisas e estudos trabalhados no ambiente acadêmico.
Do debate nas escolas para a Sala Multiuso
Além de trabalhos de artistas profissionais, a Sala Multiuso também reserva seu espaço para receber manifestações culturais das escolas do município. Em dois momentos no ano de 2017, os trabalhos de alunos do município foram protagonistas da ocupação artística. Na exposição “Rio Grande – 280” anos, com o lema “A gente vive uma grande história”, foram apresentadas releituras de pontos importantes da cidade, oportunizando a criação de uma identificação dos estudantes com o município, além da valorização do vasto histórico cultural e arquitetônico da cidade de Rio Grande.
As instituições de ensino também estiveram presentes nas ocupações da Sala Multiuso através da exposição “Influências Afro-indígenas”. O trabalho dos alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Cipriano Porto Alegre, já é tradição da instituição e vem sendo realizado a mais de uma década. A mostra tratou das relações étnico-raciais, estimulando o debate entre professores e estudantes para temas atuais como discriminações, preconceitos e relações entre os seres humanos, para posteriormente ser vinculado ao estudo de artistas negros brasileiros, e transformado em expressões artísticas.
Veja abaixo um histórico das atividades desempenhadas na Sala Multiuso no ano de 2017 e no inicio deste ano:
Janeiro 2017
“Dança e Pintura: As memórias de uma aluna com síndrome de down no curso de Artes Visuais”, da artista Marina Marandini Pompeu.
Nas palavras da artista o objetivo é “Desenvolver a capacidade de pintar dançando, pintando e repintando os quadros com vários tons que remetem aos cenários”. Através de suas memórias de espetáculos de dança, a artista criou figuras e personagens acompanhada da música, e “trabalhou dançando enquanto as formas surgiam das reflexões sobre o passado.”, declarou Marina Marandini.
Fevereiro de 2017
“Sobre Creare – Fazer, Crescer e Elevar, dos artistas Carlo Diego Silveira Alves e Valmir Lopes’.
O principal objetivo da mostra é chamar a atenção da população para o consumo responsável, a sustentabilidade e o reaproveitamento de materiais descartados pela sociedade, transformando-os em arte. Os artistas Carlo Diego Silveira Alves e Valmir Lopes, em seu trabalho, estiveram focados na reutilização e ressignificação de materiais descartados pela sociedade, tais como madeiras, tecidos, plásticos, entre outros. Com esse ideal, a exibição explora as possibilidades de criar com pouco, com o novo, ou com aquilo que já não tinha mais serventia, procurando pela harmonia entre o lixo e o luxo.
Março – Abril de 2017
“Religare”
A exposição coletiva, internacional e itinerante Religare, atividade conjunta da SeCult e da Universidade Federal do Rio Grande, reúne trabalhos de arte-educadores de diversos países, sob a curadoria da também arte-educadora, Fabiane Pianowski. A mostra faz parte do projeto Miradas Enredadas Networking Glances e conta com a participação de professores e artistas de todos os âmbitos de ensino, com 20 trabalhos nos formatos virtual e físico.
Abril – Maio de 2017
"No Reino da Dona Música"
A mostra comemora os 120 anos de nascimento de Valeska Inah Emil Martensen, que possui uma história dedicada à arte e ao ensino da música em Rio Grande e é considerada uma das figuras mais representativas da cultura do Município. O título da exposição foi inspirado em um programa de rádio de mesmo nome, onde a homenageada participava com seus alunos na década de 1950.
Ao longo de sua trajetória profissional na cidade do Rio Grande, fez seu primeiro concerto no Teatro Carlos Gomes e organizou espetáculos extraordinários para a comunidade rio-grandina em geral, utilizando teatros, cinemas e locais públicos para encenar trechos de óperas e operetas completas.
Maio – Junho de 2017
“Traços de Memória”
A exposição “Traços de Memória”, organizada pelo Arquivo Público e Histórico Municipal, apresentou desenhos em croquis de estabelecimentos comerciais da década de 1940.
Julho de 2017
“Popular Contemporâneo”
Na exposição “Popular Contemporâneo” o visitante pode apreciar mandalas, barcos, foguetes, estádios de futebol e até representações do polo naval e das plataformas de petróleo. Misturando Arte Contemporânea, Artes Populares e Artesanato, o artista Getúlio Sória utiliza desde materiais reciclados a brinquedos para compor suas esculturas.
Agosto de 2017
“Mundo Canini”
A exposição conta um pouco da vida e da obra de Renato Canini, expoente cartunista gaúcho conhecido mundialmente por conferir uma nova roupagem ao personagem Zé Carioca para os estúdios Disney.
Setembro de 2017
"História da Viação Férrea de Rio Grande”
Exposição sobre a "História da Viação Férrea de Rio Grande”, coordenada por Gilda Leite da Silva, Aírton Ferreira Gonçalves e Celso Pires Braga .Os autores das exposições são Paulo Nilton de Carvalho e Rubem Medeiros.
Outubro de 2017
“Cartografia e Desaparecimentos: Transfigurações simbólicas e configurações em 1ª pessoa”
Exposição “Cartografia e Desaparecimentos: Transfigurações simbólicas e configurações em 1ª pessoa”, realizada por Teresa Lenzi e Tales Lenzi, em parceria com a Prefeitura Municipal, através da Secretaria da Cultura.
“DATC 50 Anos...Uma História a Contar”
Em homenagem aos 50 anos do Departamento Autárquico de Transportes Coletivos (DATC), a mostra comemorativa, intitulada “DATC 50 Anos...Uma História a Contar”, reúne fotografias, miniaturas, documentos e um painel que remontam à história da autarquia. O Departamento Autárquico de Transportes Coletivos foi fundando pela Prefeitura Municipal do Rio Grande em 31 de outubro de 1967.
Novembro de 2017
“Rio Grande – 280 anos”
Tendo como lema “A gente vive uma grande história”, as atividades foram desenvolvidas pelos alunos de 14 escolas da Rede Municipal de Ensino. As obras expostas são releituras de pontos turísticos em quadros ou réplicas, além de memórias esportivas. O objetivo da ação era estimular o sentimento de pertencimento e valorização da Cidade do Rio Grande, que em fevereiro de 2017 completou 280 anos de fundação.
“Influências Afro-indígenas”
A mostra é o resultado do trabalho desenvolvido há uma década com os alunos Escola Municipal de Ensino Fundamental Cipriano Porto Alegre. A prática na escola tornou-se um espaço para a realização de debates acerca de temas atuais como discriminações, preconceitos, gênero, relações entre os seres humanos, mundo de trabalho, momento econômico-politico-global e brasileiro, tudo isso no âmbito do estudo de artistas negros e negras brasileiros.
A exibição expõe a transformação do conhecimento teórico, dos posicionamentos diante das relações étnico raciais (gênero, economia, politico, social, educacional, filosófico e sociológico e, principalmente, ao que tange o enfrentamento ao racismo e seus desdobramentos) em expressões artísticas.
Janeiro - Fevereiro 2018
“Luz...Fotos de Shila Khodaparast”
Shila é fotografa e natural de Teeran, capital do Iran. Busca, através de seu trabalho, retratar mulheres em situação de invisibilidade social de seu país. A exposição foi realizada em parceria com o ArtEstação na programação do Rio Grande Photofluxo.
Março 2018
“No Sagrado Feminino, o Terreiro Revelado”.
A exibição de fotografias do rio-grandino, Aldivo Mendes, ressalta a importância das mulheres para as religiões de matriz africana no Município, representadas por mães-de-santo, que o fotógrafo capturou as imagens. A exposição nasce da curiosidade de conhecer mais de perto as yalorixás da cidade do Rio Grande.
O artista realizou registros fotográficos, gravações e entrevistas, onde elas relataram um pouco da sua história junto à religião e o que pensam sobre racismo, preconceito e a importância da união de todos e todas para enfrentar a intolerância religiosa.
Links úteis:
Secretaria de cultura: http://secultrg.wix.com/riogrande
Edital Sala Multiuso:
http://docs.wixstatic.com/ugd/8eeb18_e643a136048444ea8584045f1a19b266.pdf.
Assessoria de Comunicação/PMRG
