Marcos Costa Filho
Cadeira n° 31
Patrono: Manoel José da Silva Bastos
marpoeta.papareia@yahoo.com.br


NAS PORTAS DO CÉU

Ao sentir um arrepio
em um dia de calor,
ou um sopro quente
num frio de inverno,
nada de estar doente...
são peraltices do amor!

Quando menos se espera,
ele chega e se acomoda.
E nunca cai de moda
o rolar de uma paquera.
Olhos nos olhos, a chispa
salta de um e de outro
e estremece por inteiro
incandescendo todo ser,
alastrando logo um fogaréu,

cujas delícias, leva a viver
lá... longe, nas portas do céu! 

NUANÇAS DO OUTONO

As folhas caídas ao chão
douram a grama ainda verde
e rolam leve ao vento suave
da manhã ensolarada e fria.

É outono e o choro das árvores,
da extensa Avenida Portugal,
é dourado e está nas folhas,
como lágrimas despencadas
do alto dos galhos, agora nus.

O quadro, contudo, é belo
e de passada em passada,
sigo minha caminhada,
admirando o contraste das cores
do pranto das árvores com a relva.
 
O ar gelado nas frontes me bate, 
encontra poucos cabelos grisalhos,
que ainda persistem no meu outono
iniciado em décadas já passadas. 

Admiro e invejo as árvores chorosas,
por elas terem retorno da primavera.
Terão novas e verdejantes folhas,
novo viço, mais beleza, mais encanto,
enquanto meu outono é continuo,
embora feliz, não tenha eu pranto,
meus verdes anos jamais retornam
e já caminho do inverno na esteira!