Ser pedagoga...
 
Ser pedagoga é aventurar-se no universo da infância.
É ter a oportunidade de sorrir sem medo,
de entregar o coração e de dar as mãos para estes
pequenos humanos.
Ora ajudando a saltar desafios,
ora voando de carona com as asas da imaginação
que só os infantes tem antes da perda legitimada
pelas grades curriculares.
A sala de aula precisa ser janela para o mundo,
romper as paredes territoriais e abrir as cortinas que
impedem a luz de entrar.
É preciso sacudir o mofo das repetições.
Tirar o pó dos sonhos adormecidos.
Reavivar a razão do ser docente.
Relembrar a essência existencial da escola.
Recordar as juras de formatura.
Rasgar os cadernos, perder livros,
construir caminhos novos.
Ser pedagoga é andar de pernas de pau
para vislumbrar o horizonte utópico
sem o qual o homem nunca teria navegado!
É aprender a nadar nas nuvens,
andar nas águas e voar pela terra
sem correntes conteudistas
ou cadeias metodológicas.
Simplesmente livre para ser
e fazer o melhor, feliz por existir
e ser o que cada dia lhe falar
a rota de voo de seu próprio coração.

 

-Eu tenho nome sabia
 
Guri, guria.
Menino, menina, moço, moça.
Tu aí. Ei. Coisinha.
Neguinho”, “neguinha”.
Polaco, alemão, “lorinho”, “lorinha”.
“Ô do boné”.
Não dá para aguentar.
Não sou coisa, 
nem cara e nem dos “meu” ou das “minha”.
Sou gente, humano, pessoa.
Tenho nome, sabia?
Se você perguntar eu digo.
É meu nome que me faz quem sou, 
que já conta parte da minha história.
É ele que me apresenta e me representa 
como cidadão.
A partir dele vem meu primeiro documento: 
a certidão de nascimento.
Então, se quer falar comigo, 
me chamar ou perguntar alguma coisa, 
primeiro pergunta meu nome.
Então, vou poder perguntar o teu.
E assim a gente vai se aproximar, 
conversar e quem sabe fazer mais um amigo ou amiga.

Meu nome é Lourdes Luciana M. Sampaio e atualmente trabalho no Núcleo de Alimentação Escolar, pela SMEd, e acredito que o ato de escrever permite conhecer melhor o próprio ser, permitindo um vir a ser melhor em cada novo amanhecer.