10ª PARADA LIVRE

Movimento mostra força em manifestação no Cassino

Muitas pessoas que participaram pela primeira vez da Parada Livre realizada no balneário do Cassino, em Rio Grande, neste domingo (19), talvez nem imaginem como foi que o movimento surgiu e cresceu no município. “Há dez anos, estávamos cercados de alguns seguranças que nos protegiam, aqui no Campo do Praião, num palco bem pequeno, para podermos realizar a primeira manifestação pública LGBT. Éramos poucos, mas não desistimos de lutar por nossos direitos”, disse uma das apresentadoras da Parada Livre 2020. O tempo passou e, agora, ela estava em cima de um grande palco e falava para um público, agora, composto de milhares de pessoas, a maioria jovens, mas muitos adultos e vários espectadores curiosos com tanta diversidade e liberdade de expressão juntas.

O Movimento LGBTI+ cresceu bastante no Brasil, no Rio Grande do Sul e, especificamente, no município do Rio Grande. Em sua 10ª edição, a Parada Livre rio-grandina trouxe milhares de adeptos ao movimento ao Cassino, onde tiveram a oportunidade de se manifestar contra a homofobia e as políticas do atual governo federal. Além disso, assistiram a shows, performances variadas, eleição da rainha, princesas e do mister da Parada, participaram de uma caminhada atrás de trios elétricos pela Avenida Rio Grande e retornaram para mais shows, por volta das 22h. A manifestação contou com total apoio da Prefeitura Municipal e teve o auge no domingo, desde o começo da tarde, embora, no sábado (18), tenha ocorrido uma prévia da Parada Livre 2020, que esse ano tinha como principal slogan “Cada Beijo uma Revolução”.

A coordenadora de Políticas Públicas para as Mulheres, Maria de Lourdes Lose representou o Executivo na Parada Livre. Ela comentou que a administração municipal apoia o movimento, desde as primeiras manifestações. Disse que, “ao longo dos anos, percebemos que há um crescimento da aceitação das pessoas consigo mesmo”. Para ela, “são pessoas que estão, efetivamente, assumindo a sua orientação sexual, acredito por terem um apoio institucional e do próprio movimento, que as fortalece e faz com que elas percebam que não estão sozinhas”. Infelizmente, lembra a coordenadora, “há um refluxo em relação às políticas públicas por parte do governo federal. Mas sempre dizemos, não precisam gostar, têm que respeitar.”

Presente à manifestação ao lado do secretário da área de Controle e Serviços Urbanos, Dirceu Lopes, a chefe do Gabinete de Programas e Projetos Especiais (GPPE), Darlene Pereira afirmou que, ao longo do tempo, sempre tem se lutado para o respeito à pessoa, independente do seu modo de ser. “A Parada Livre representa essa luta e cria um espaço de valorização e de reconhecimento das diferenças. Isso fortalece, ainda mais, a liberdade humana de viver bem dentro de suas verdades e convicções”, acentuou Darlene.

A Prefeitura do Rio Grande se envolveu diretamente com a realização da Parada Livre. Além de colocar um stand com orientações de prevenção à AIDS/HIV, ao lado do palco, houve o envolvimento de várias secretarias, como a de Serviços Urbanos, Mobilidade e Segurança, do Cassino, Turismo e Cultura que disponibilizaram várias equipes para que o espaço e a Avenida Rio Grande pudessem receber todo o público que circulou no ato.

Diversidade e diversão

O apresentador da Parada Livre de Porto Alegre e presidente da Aliança Gaúcha LGBTI+, Roberto Seitenfus, 40 anos, foi questionado se a Parada Livre é um momento de diversão ou diversidade. “Os dois”, respondeu. “É uma forma diferente de fazer política. Não temos muito o que comemorar quando, a cada dia, uma pessoa LGBTI+ é, brutalmente, assassinada. Mas, o simples fato de estarmos em praça pública, levando gays, lésbicas, travestis e transexuais e drag queen ao palco para fazer show, mostramos que essa visibilidade é política, é uma luta por direitos. Ou seja, é política e diversão. É o momento de sair do armário”, sugeriu.

Roberto Seitenfus não considera agressiva a forma como as pessoas que integram o movimento LGBTI+ se manifestam, seja de mãos dadas ou com um beijo na boca em público. “Agressivo é quando batem em alguém por ser mulher, negro ou LGBT. Pessoas morrem só por serem diferentes. Isso é agressividade. O problema não está em expressar o seu corpo ou a forma de amar, mas na agressão de quem não respeita os(as) diferentes.” Acabar com tanto preconceito não é tarefa fácil, mas o ativista afirma que é preciso investir em políticas públicas e numa mudança cultural.

Em 1997, houve a primeira Parada Livre no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, e, de lá para cá, muitos avanços têm sido conquistados. “No Judiciário, principalmente, como a equiparação da LGBTfobia ao crime de racismo, no STF. Porém, não existe legislação que nos ampare em relação ao casamento e a crimes praticados por LGBTfóbicos, por exemplo. Muitas outras paradas vão ser necessárias, mesmo no momento em que não houver mais preconceito, para que isso nunca mais volte a ocorrer”, afirma Roberto Seitenfus.

Assessoria de Comunicação PMRG

Publicado em: 20 de janeiro de 2020